O novo cenário para as OSC: mais recursos, mais exigência e uma oportunidade de fortalecimento
- 21 de jul.
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O crescimento do investimento social amplia as oportunidades para as OSC, mas também eleva a exigência por governança, evidências e capacidade de demonstrar impacto.

De acordo com o Censo GIFE 2024–2025, o Investimento Social Privado (ISP) mobilizou R$ 5,8 bilhões em 2024, o segundo maior volume da série histórica, superado apenas pelo período da pandemia. Apesar desse crescimento, apenas R$ 1,3 bilhão foi destinado diretamente às organizações da sociedade civil (OSC), revelando um intervalo de aproximadamente R$ 4,5 bilhões entre o total investido e os recursos efetivamente repassados às organizações.

Esse descompasso evidencia uma oportunidade concreta de aproximar investidores sociais e OSC. Mais do que ampliar o volume de recursos disponíveis, o desafio está em fortalecer os mecanismos que aumentam a confiança dos financiadores e tornam a alocação desse capital mais eficiente.
O próprio Censo ajuda a explicar parte desse cenário. Entre os investidores sociais, 37% apontam dificuldades relacionadas ao monitoramento e à avaliação das iniciativas. Isso demonstra que a principal barreira para ampliar os investimentos não é apenas orçamentária, mas estrutural. A capacidade de produzir evidências, mensurar resultados e demonstrar impacto tornou-se um fator decisivo para a tomada de decisão sobre novos aportes.

Ao mesmo tempo, há sinais claros de transformação no campo do investimento social. A diferença entre organizações que executam projetos próprios e aquelas que financiam iniciativas de terceiros nunca foi tão pequena, indicando um fortalecimento gradual do grantmaking e uma maior disposição para investir diretamente nas OSC. Além disso, R$ 223 milhões foram destinados ao apoio institucional, recursos livres que fortalecem a gestão, a governança e a sustentabilidade das organizações, e não apenas a execução de projetos específicos.
Essa mudança amplia as oportunidades, mas também redefine as expectativas sobre as organizações da sociedade civil. Governança, transparência, diversidade e avaliação de impacto deixaram de ser diferenciais e passaram a integrar os critérios de decisão dos investidores. Não por acaso, 80% dos investidores sociais afirmam avaliar suas iniciativas, enquanto 58% já realizam avaliações institucionais, evidenciando uma demanda crescente por organizações capazes de demonstrar, com consistência, os resultados que geram.
O cenário apresentado pelo Censo aponta, portanto, para uma mudança de paradigma. O desafio das OSC já não é apenas captar recursos, mas criar as condições para que mais recursos possam chegar até elas. Isso passa pelo fortalecimento institucional, pela adoção de práticas de monitoramento e avaliação e pela capacidade de transformar impacto social em evidências confiáveis para financiadores.
Nesse contexto, a avaliação de impacto deixa de ser apenas uma ferramenta de prestação de contas e passa a ocupar um papel estratégico. Ao reduzir a percepção de risco dos investidores e aumentar a credibilidade das organizações, ela contribui para fortalecer relações de confiança, ampliar a captação de recursos e potencializar o impacto social gerado.
Aprofunde a leitura
Este artigo reúne alguns dos principais insights do Censo GIFE 2024–2025, uma das mais importantes pesquisas sobre investimento social privado e filantropia institucionalizada no Brasil. O estudo apresenta dados sobre volume de investimentos, apoio às organizações da sociedade civil, grantmaking, governança, diversidade, monitoramento, avaliação e tendências que vêm transformando a forma como investidores e OSC constroem parcerias para gerar impacto social.
Se você atua no terceiro setor, na filantropia ou na agenda de impacto social, a leitura completa da pesquisa oferece uma visão abrangente sobre os desafios e as oportunidades que devem orientar o setor nos próximos anos.
→ Clique aqui para acessar o Sumário Executivo do Censo GIFE 2024–2025
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